A conta de julho já está correndo com o número novo. Se o seu hotel está no programa Preferencial da Booking.com, a comissão que era de 15% ou 16% passou a ser de 18% sobre o valor bruto de cada reserva. E isso aconteceu mesmo com o caso da Booking.com no Cade: seis entidades do setor protocolaram uma representação no conselho antitruste em 23 de junho pedindo a suspensão imediata do reajuste, e a taxa entrou em vigor em 1º de julho assim mesmo.
Este texto não é o guia do que muda com os 18% — isso nós já publicamos em junho, logo depois do reajuste ser anunciado no fim de maio (leia aqui). Aqui a pergunta é outra e é mais desconfortável: o que um hoteleiro independente faz enquanto o processo corre? Porque, como você vai ver, contar com uma decisão do Cade não é um plano de margem.
O que aconteceu: a Booking.com no Cade, ponto a ponto
Segundo o Portal PANROTAS, a Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS), o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), a Associação Brasileira de Resorts (ABR), a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) e a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) ingressaram com representação formal contra a Booking.com. A base jurídica é a Lei nº 12.529/2011, a Lei de Defesa da Concorrência.
Antes disso, houve tentativa de conversa. Ainda em maio, o FOHB, a Resorts Brasil e a ABIH Nacional — três das entidades — enviaram um manifesto pedindo mesa de negociação. A FBHA mandou um segundo ofício, o nº 045/2026, propondo adiar a vigência para 1º de janeiro de 2027 e revisar os percentuais, com prazo de 15 dias para uma resposta substantiva. Não veio resposta até a data do protocolo. Foi aí que o caso virou denúncia.

A Booking.com confirmou o reajuste. Em posicionamento enviado ao PANROTAS, a empresa afirmou que suas condições comerciais no Brasil permaneceram inalteradas nos últimos 12 anos e que a mudança alinha a operação local a práticas já adotadas em outros mercados. A plataforma também reforçou que a taxa padrão segue em 15% e que os 18% valem apenas para quem participa do programa Preferencial.
Vale registrar essa distinção com honestidade, porque ela costuma sumir na conversa de corredor: ninguém foi obrigado a pagar 18%. O que existe é uma escolha desconfortável — pagar a taxa preferencial ou perder posicionamento na busca da plataforma, o que na prática significa perder reservas. É esse ponto que a representação leva ao Cade.

Quanto três pontos percentuais custam no seu caixa
O PANROTAS publicou uma conta que vale colar na parede da recepção: um hotel com receita de R$ 150 mil por mês e metade das reservas vindas da plataforma paga R$ 27 mil a mais por ano com o reajuste de 15% para 18%, só de comissão, sem que nada tenha mudado na operação, no serviço ou na diária. Desdobrando a mesma conta: são R$ 135 mil de comissão por ano a 15% contra R$ 162 mil a 18% — o equivalente a R$ 2.250 por mês. A premissa e o resultado são da matéria; os valores intermediários são o desdobramento aritmético dela.

Faça a sua versão dessa conta antes de continuar lendo. Pegue a receita bruta do mês passado, veja que percentual dela entrou pela Booking.com e multiplique por três pontos percentuais. O número que sair é o custo anual do reajuste no seu negócio — e é também, não por coincidência, o orçamento que você teria para investir em canal próprio.
Por que esperar a decisão não é um plano de margem
A representação pede medida preventiva, ou seja, a suspensão imediata da taxa até o julgamento definitivo. É um pedido legítimo e o setor tem razões fortes para fazê-lo. Mas planejar o caixa do segundo semestre contando com esse desfecho é apostar em algo que não tem prazo e não tem resultado garantido. Até a data desta publicação, a taxa segue valendo.
O caso espanhol dá a escala de tempo desse tipo de disputa. Na Espanha, mais de 1,4 mil empresas de hotelaria e turismo se organizam para uma ação coletiva contra a Booking.com por causa das cláusulas de paridade tarifária. A expectativa relatada é que a ação nem chegue aos tribunais antes de 2027, porque a legislação local exige tentativa de solução extrajudicial primeiro. Estimativas divulgadas lá falam em recuperar até 7,3% do que foi pago em comissões ao longo dos anos — dinheiro que, se vier, vem anos depois do prejuízo.
A leitura prática é simples: o desfecho do caso da Booking.com no Cade é uma boa notícia possível, não uma linha do seu orçamento. Quem tratar o processo como solução vai passar os próximos meses pagando 18% e esperando.
A comissão você não controla. O tamanho da fatia que passa por ela, sim.
O motor de reservas do Simpleshotel custa R$ 200 por mês, fixo, e cobra zero comissão por reserva: o hóspede reserva sozinho no seu site, a qualquer hora, paga na hora por Pix ou cartão e a reserva já cai confirmada no seu painel. Veja como funciona na prática.
A comissão é o sintoma. A dependência é a doença

Repare no que torna esse reajuste tão pesado para o hotel independente: não é o percentual em si, é a concentração. Fontes ouvidas pelo PANROTAS apontam que muitos empreendimentos chegam a concentrar entre 80% e 100% do inventário na Booking.com. Quando quase toda a oferta de quartos está exposta em um canal só, qualquer mudança de regra desse canal vira uma mudança na sua margem — e você fica sabendo por comunicado.
O porte agrava. Camilla Barretto, CEO da BLTA, afirmou ao PANROTAS que cerca de 75% dos associados da entidade têm menos de 60 unidades habitacionais. São operações enxutas, sem equipe comercial dedicada, que absorvem aumento de custo com o próprio bolso porque não têm de onde tirar. E o reajuste chega num ano que já traz a implementação da reforma tributária e alta de custos operacionais.
A pergunta que importa, então, não é “a Booking.com está certa ou errada?”. É: quantos por cento do seu faturamento dependem de uma decisão que você não participa?
Booking.com no Cade: quatro movimentos que dependem só de você
1. Meça a origem de cada reserva — em percentual, não em sensação
Antes de mudar qualquer coisa, você precisa saber a distribuição real: quanto entra por OTA, quanto entra por telefone e WhatsApp, quanto entra pelo seu site. No Simpleshotel, a comissão paga a cada canal é cadastrada no sistema e aparece nos relatórios e dashboards, então dá para ver quanto cada canal custa em dinheiro, não só em volume. Sem esse número, toda decisão de distribuição é chute.
2. Tire o canal direto do papel de vitrine
Muito hotel tem site bonito com formulário de “solicite sua reserva” — e isso não é canal direto, é lista de espera. Canal direto é o hóspede que decide às 22h, escolhe a data, paga por Pix ou cartão e recebe a confirmação sem falar com ninguém. Enquanto a reserva depender de alguém responder uma mensagem, ela vai continuar migrando para a plataforma que fecha na hora. Fizemos a conta completa desse comparativo neste artigo sobre reserva direta versus OTA.
3. Continue na OTA — mas mude o papel dela
Nada aqui defende sair da Booking.com. Para a maioria dos independentes, a plataforma é a maior fonte de visibilidade que existe e sair custa mais caro que ficar. O movimento é outro: usar a OTA como vitrine de descoberta e trabalhar para que o hóspede que já ficou uma vez volte pelo seu canal. Cada ponto percentual que migra de lá para cá volta inteiro para o seu caixa.
4. Trate a base de hóspedes como ativo, não como arquivo
Quem já se hospedou e gostou é o hóspede mais barato de trazer de volta. Com a automação de WhatsApp, o hotel envia mensagens automáticas de confirmação, pré e pós-estadia pelo número oficial da propriedade, e a recepção dispara templates de dentro da reserva sem abrir o aplicativo. É envio do hotel para o hóspede — não é robô que conversa nem atendimento por inteligência artificial.
O que um sistema resolve — e o que não resolve
Nenhum software resolve o caso da Booking.com no Cade, e desconfie de quem disser o contrário. Para não vender ilusão, vale separar as duas listas.
O que o Simpleshotel faz:
- Motor de reservas próprio por R$ 200/mês fixos, com zero comissão por reserva: o hóspede reserva sozinho 24 horas por dia no seu site e a reserva cai confirmada no painel.
- Gateway de pagamento com Pix e cartão (Asaas) integrado ao motor, por R$ 50/mês.
- Comissão por canal cadastrada e visível em relatórios e dashboards, para você comparar custo real de cada origem de reserva.
- Integração com gestor de canais, para a disponibilidade não desencontrar entre OTA e canal direto.
- Automação de WhatsApp (R$ 80/mês) com mensagens automáticas de confirmação, pré e pós-estadia.
O que ele não faz — e nenhum sistema faz:
- Não derruba a comissão da Booking.com nem influencia o processo no Cade.
- Não gera demanda sozinho: motor de reservas sem divulgação é site vazio com botão de pagar.
- Não define o seu preço automaticamente. Quem decide a tarifa é você.
- Não substitui a OTA da noite para o dia. O que ele muda é a proporção, mês a mês.
Os add-ons partem do plano Master (R$ 200/mês). Um hotel com Master mais motor de reservas fica em R$ 400 por mês. No exemplo do PANROTAS, o reajuste da comissão custa R$ 2.250 por mês — a comparação é sua para fazer, com os seus números.
Um dado nosso, para você calibrar expectativa: a Pousada Assojuris, em São Paulo, saiu de 12% para 31% de reservas diretas em três meses. É um caso real de um cliente, não uma média de mercado — trate como indício do que é possível, não como promessa do que vai acontecer com você.
O que fazer nesta semana
O caso da Booking.com no Cade pode terminar bem para o setor. Pode demorar anos, como está demorando na Espanha. Pode não terminar como o setor gostaria. Nenhum desses cenários está sob o seu controle — e é exatamente por isso que ele não deveria ocupar o lugar da sua estratégia.
O que está sob o seu controle cabe em três tarefas desta semana: descobrir o percentual exato de receita que passa pela plataforma, calcular em reais quanto o reajuste custa no seu hotel por ano e escolher um único movimento para reduzir essa dependência em 90 dias. Não é preciso escolher entre OTA e canal direto. É preciso parar de depender de um só.